Segunda Igreja Batista em Petrópolis

 

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Edelto Barreto Antunes, filho do Pastor Edmundo Antunes da Silva e de Jesuína Barreto Antunes, mais conhecida como Dona Zozó, nasceu em Macaé-RJ, em 20/07/1941, onde por toda a infância, adolescência e juventude morou na Rua Teixeira de Gouveia, 640, estudando na Fundação Educacional Luiz Reid (atualmente C.E. Luiz Reid), criando fortes vínculos com seus colegas de turma nos quais sempre se referia com muito carinho e afeto, muitos deles até o curso científico, prestando logo depois vestibular para o Curso de Odontologia. Sendo aprovado foi morar em Niterói. Daí em diante tomou vários rumos trabalhando no Banco do Brasil, na cidade Cruzeiro do Oeste, no Paraná, voltando para o Estado do Rio após o falecimento da sua mãe. Cursou a Faculdade de Matemática indo residir na cidade de Petrópolis, onde lecionou em vários colégios, trabalhou no seu consultório como dentista e ao sentir o chamado de Cristo para o Ministério da Palavra de Deus, tudo deixou para exercer o ministério com intenso amor e dedicação.

Edelto sempre foi uma pessoa determinada e segura. Conversar sobre Macaé, suas lembranças de infância, seus amigos (deveria até nomeá-los mas incorreria no erro de faltar com alguém), sintam-se todos os seus colegas de turma sempre homenageados por ele. Alguns que puderam visitá-lo no Hospital e outros por telefone lhe causaram grande satisfação. Em fevereiro desse ano, após alguns dias de férias divididos entre Conceição de Macabu e Macaé, retornou a Petrópolis aparentando estar de bem com a saúde, mas como sempre muito ágil, correndo de um lado para o outro, entendíamos que perdera algum peso sem nada no entanto sentir. No dia 15/02/08 meu querido irmão saiu de Macaé para Petrópolis a fim de retornar as suas atividades na Igreja. No domingo seguinte, ou seja 17/02/08, sentiu-se mal, porém sem achar nada grave entendeu que poderia ir à igreja à noite e lá, enquanto pronunciava seu sermão, uma dor abdominal tomou conta do seu físico, não permitindo que terminasse o culto da forma como sempre fazia, isto é, indo até a escadaria da Igreja para abraçar cada membro presente desejando-lhe uma semana feliz. Edelto era muitíssimo carinhoso. Preocupava-se indistintamente com todos que com ele convivia. Desde esse dia iniciamos em família uma verdadeira peregrinação, procurando por todos os meios uma alternativa de cura para um câncer que segundo os médicos não havia tratamento. O Edílson, seu irmão, Flávio seu filho, Murilo, Vinícius, Renan seus sobrinhos fizeram o que humanamente seria possível para amenizar seu sofrimento e suas dores ao mesmo tempo que, que para os familiares passavam a verdadeira situação do nosso Edelto. Alimentávamos sempre a esperança de que haveria cura, que não sofreria dores, mas seus últimos dias (desde o dia 21/07) aqui em Macaé, pois seu tratamento quimioterápico era intercalado de 15 em 15 dias entre Macaé e Petrópolis. No dia 20/07, seu aniversário, fomos todos para Petrópolis passar com ele, no entanto não estava bem. Veio para Macaé em 21/07 e logo internado no Hospital São João Batista onde foi submetido a nova cirurgia abdominal deixando-nos muito preocupados sabendo da falta de condição de cura, somente pela misericórdia de Deus e sua soberana vontade para que ele vivesse. A vontade de Deus foi feita. A dor está profunda. Sabemos que ele está com Jesus, mas que dor! Que dor sem definição!

Seu sepultamento aconteceu em Petrópolis, pois lá criou profundos vínculos afetivos, familiares, políticos, profissionais, eclesiásticos e assim não poderia deixar de ser, porque apesar de macaense nato, tinha Petrópolis no coração. Sua esposa Rosane Ellen dos Santos Antunes dedicada esposa, mãe e cunhada nesse período de enfermidade renunciou a sua própria vida para em dedicação integral ao Edelto dar a ele todo carinho e apoio na aplicação dos medicamentos e alimentação.

Seus dois primeiros filhos, Dr. Edelto dos Santos Antunes, Dr.Flávio Antunes nasceram em Macaé e Dr. Henrique Antunes, o caçula, em Petrópolis. Foi e é uma abençoada família. Edelto está nos deixando muitas saudades. Nunca vi ninguém ter uma morte tão serena e lúcida. Despediu-se de todos os irmãos, sem faltar nenhum ao lado no leito e seus filhos, noras e netos também, falando com muita dificuldade pelo problema respiratório, até ir apagando, apagando como um pavio de vela. Ao morrer, seu filho caçula estava ajoelhado ao lado de sua cama, seus dois outros filhos com ele no carinho filial e de mãos dadas com a Rosane, que segundo ela "namoraram até o último suspiro", pois pouco antes de fechar os olhos, bem devagarzinho, ele disse que a família era o grande tesouro que tinha e Rosane o anjo que Deus colocou em sua vida... e morreu. Ao Hospital São João Batista devemos toda gratidão, a toda equipe de enfermagem, da lavanderia, dos serventes, do Padre que sempre nos confortava, as maravilhosas irmãs de caridade que com aquele jeitinho a elas peculiar nos ajudou, aos porteiros, ao pessoal de apoio, à equipe da parte administrativa, enfim a todos os que conviveram com nosso sofrimento terreno entendendo nossas idas e vindas do hospital, porém, estendemos essa palavra a todos os médicos, principalmente aos que no momento final estavam conosco, o Dr Luiz Porto, Dr.Clayton César de Oliveira, excelente cirurgião que num momento difícil ungiu suas mãos nas mãos de Deus para atender nosso querido Edelto em sua dor, ao anestesista Dr Jorge Sawada, médicos enfim que se intercalavam para que o sofrimento dele fosse aliviado, mas ao Dr.Sávio Mussi, que durante o tratamento da quimioterapia se dedicou totalmente sem medir esforços nem olhar o relógio e nos seu momentos finais ali estava com amor e desvelo para tornar nossa dor menos sofrida. Nossa oração é de que Deus sempre ilumine a vida de todos que nos visitaram, telefonaram, marcaram sua presença numa hora que precisávamos da solidariedade e amor humano pois o de Deus nunca faltou. Na realidade nosso querido Edelto partiu para os céus, na certeza de que o que lhe esperava lá ele já deslumbrava daqui, tão grande fora a sua tranqüilidade ao se despedir de nós. Obrigada, Macaé por ter permitido que o nosso Edelto nascesse aqui e aqui viesse morrer. Cidade que ele amava, defendia e sonhava em ver e crescer sempre melhor na graça de Deus.

Autor: Edalva Barreto Antunes dos Santos - Irmã de Edelto Antunes

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